Clínica Psicológica

Influenciada por duas formações acadêmicas: Psicologia e História, sua escuta prioriza os elementos inconscientes do paciente dentro da sua perspectiva histórica. Em uma linha horizontal: – o fato selecionado – momento histórico do indivíduo, de seu país, do mundo ao qual a história do sujeito se passa e em uma linha vertical: o psiquismo com toda sua complexidade. Ou seja, o olhar da psique ao lado da historicidade do sujeito nestes tempos da pós-modernidade.

Com o desenvolvimento de seus estudos teóricos acrescidos de suas experiências profissionais, criou uma síntese própria de trabalho da clínica psicológica.

São Paulo

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Algumas reflexões a respeito da clínica psicológica atual

As sequelas na mente individual criadas através dos buracos ou esgarçamentos psíquicos (Amnéris Maroni) do inconsciente coletivo pela ocorrência das grandes guerras mundiais (I e II), redundaram numa crescente dificuldade da mente em acolher e sustentar o próprio sofrimento, bem como na incapacidade de tolerar frustrações e consequentemente no hábito indiscriminado do uso abusivo de medicamentos psiquiátricos.

Por isso houve um crescente aumento dos sintomas psicológicos convertidos e descarregados no soma – corpo psicossomático, dentre eles e em maior destaque, o câncer e outros sintomas psíquicos como: ansiedade, doenças do vazio e da falta de sentido na vida, depressão, ausências ou o não registro de vivências pessoais, dispersão mental, entorpecimento e alienação de si mesmo, TOC, anorexia e bulimia, síndrome do pânico, rompante agressivo e bullying, distúrbio bipolar, narcisismo, drogadição e alcoolismo.

Alguns comentários sobre a Psicossomática

Psico + soma (corpo)

Uma velha lenda sufista conta que um estranho dá com um homem engatinhando debaixo de uma lâmpada, em frente de sua casa. Está procurando as chaves. O estranho fica de quatro para ajudá-lo e, algum tempo depois, pergunta:

– Onde foi que as deixou cair, exatamente?

– Lá dentro de casa – responde o outro.

– Então por que as está procurando aqui fora?

– Porque a casa não tem luz.

A luz é mais intensa na mente consciente, mas nós temos de procurar é no escuro inconsciente. O psicoterapeuta trabalha vertendo as sombras, o escuro em luz, tornando claro, verbal lógico. O mundo do paciente pode estar às escuras, mas existem fontes de iluminação. Há uma centelha dentro de todos nós. Ela existe e pode iluminar o caminho da transformação.

Não existem doenças incuráveis, mas sim pessoas incuráveis.

Carl Simonton: “Acredito que ficamos doentes por motivos nobres. É a forma do nosso organismo nos dizer que as necessidades que sentimos – não só as físicas, mas também as emocionais – não estão sendo atendidas e que as preenchidas pela doença são importantes”.

Entre os portadores de câncer, deve-se estimulá-los a manifestarem suas raivas, ressentimentos, ódios, temores e culpas. Tais emoções constituem indícios de que nos importamos ao máximo quando nossa vida é ameaçada. As pesquisas demonstram invariavelmente que quem dá livre expansão às emoções NEGATIVAS sobrevive melhor ao Câncer. As pessoas que sofrem lesões na espinha dorsal e que se revelam desgostosas e enraivecidas avançam mais depressa no caminho da reabilitação que as que adotam uma atitude estóica ou àquelas que parecem aceitar calmamente a desgraça, ou ainda, num outro exemplo: um terrível acidente numa usina de energia nuclear, o Dr. Andrew Baum descobriu que os mais enfurecidos e receosos sofreram muito menos tensão e problemas psíquicos que os adeptos de um enfoque “racional”. Os sentimentos reservados criam TENSÃO e consequentemente, deprimem a reação imunológica de nosso organismo, tornando-o vulnerável às doenças graves.  O Dr. Leonard Derogatis descobriu em 1979, que as mulheres com carcinoma na mama que sentiam e manifestavam livremente raiva, medo, depressão e culpa viviam muito mais tempo que as pacientes que mal revelavam suas emoções. O Dr. William James diz: A maior descoberta de minha geração é que, na realidade, quase todas as doenças têm origem psicossomática, isto parece estranho à pessoa acostumada a pensar que as moléstias psicossomáticas não são, a rigor, “verdadeiras”. Mas elas são.  O físico David Bohm prefere a expressão “soma-significado”, pois o corpo só conhece o que a mente lhe transmite, portanto, aceitar a nossa participação na responsabilidade da doença é fundamental.

A psicologia do sacrifício sem vontade é muito diferente da psicologia do sacrifício voluntário.  Há momentos e épocas da vida em que o autêntico sacrifício das coisas mais valiosas é essencial para nosso desenvolvimento ulterior. Se o sacrifício não for voluntário, isto é, consciente e com plena noção da perda sofrida, então será inconsciente. Nesse caso, não estaremos nos sacrificando pelo crescimento interior, mas sendo sacrificados por um crescimento que se tornará patológico.

“Quase todos nós somos obrigados a viver uma vida de constante e sistemática duplicidade. A saúde tende a ser afetada se, dia após dia, dizemos o contrário do que sentimos, se rastejamos diante daquilo que detestamos e se nos rejubilamos ante aquilo que não nos traz senão infortúnio. O sistema nervoso não é obra de ficção, faz parte do organismo, assim como a alma existe no espaço e está dentro de nós, tal como os dentes dentro da boca. Ela não pode ser impunemente violada para sempre. “

Abaixo destaco algumas frases de grandes mestres que enriquece ainda mais esta reflexão.

Borís Pasternák:  

“Uma mulher afirma egoicamente, com toda sua determinação: “Vou fazer esse casamento dar certo ou morrer tentando”, na certa morrerá tentando, pois, assim como um trator, passará por cima da “verdade” incrustada na profundidade de sua alma.”

Carl G. Jung:

“A longo prazo, …a vontade consciente jamais será capaz de substituir o instinto vital”.

Fiódor Dostoiévski:                                                                      

”uma nova filosofia, uma forma de vida, não se dá por nada. É preciso pagar caro por ela, e só a adquirimos com muita paciência e grande esforço”

Martin Buber:                                                      

“O mundo não é um jogo dos céus, é destino dos céus. Que existam o mundo, o homem, a pessoa humana, eu e você, tem significado divino. A criação – acontece-nos, arde em nós, modifica-nos. Trememos e desmaiamos e acabamos por nos submeter. A criação – nós participamos dela, encontramos o Criador, oferecemo-nos a Ele, colaboradores e companheiros”.

Martin Buber:                                                           

“A revelação não flui do inconsciente, mas sim o domina…Toma posse do elemento humano para refundi-lo: A Revelação é a forma pura do encontro”.

“Encontros e desencontros”.  – Afeto: uma necessidade humana “

Desencontro amoroso ou incapacidade mental de estabelecer vínculo.  Ansiedade pelo amor e pelo encontro atrai o desencontro (medo).

– O quê subjaz na base da psique para que alguns façam sempre escolhas de parceiros (as) errados? – “Todos encontram um par! Por que alguns não consegue um relacionamento duradouro?”

– Querer e não querer… trata-se de uma questão ambivalente?

– Sempre só! Viver só, estar só! É destino, desígnio ou dificuldade emocional (inconsciente) da qual alguns não tem consciência.

Abaixo breve texto sobre este momento contemporâneo das relações descartáveis:

– “Ao observarmos os relacionamentos entre homens e mulheres e suas escolhas na sociedade contemporânea em seu caráter fluido e compararmos com o que eram os relacionamentos há algumas décadas atrás, ao comprometimento e à durabilidade que tinham, podemos rapidamente nos perguntar: –  onde está a afetividade destes homens e destas mulheres destes novos tempos? Como lidam com a questão da afetividade? Isto se perdeu? Perdeu-se a valorização do afeto entre homens e mulheres, independente do gênero, de forma que creiam não valer à pena se entregarem? Doarem-se para outra pessoa num compromisso fiel e duradouro? O que aconteceu com estes relacionamentos afetivos?

Bauman também questiona se os homens e as mulheres de hoje querem mesmo um relacionamento duradouro:

Estão mesmo procurando relacionamentos duradouros, como dizem ou seu maior desejo é que eles sejam leves e frouxos, de tal modo que, como as riquezas de Richard Baxter, que “cairiam sobre os ombros como um manto leve” possam “ser postos de lado a qualquer momento”. Afinal, que tipo de vínculo querem de verdade: como estabelecer um relacionamento ou – só por precaução – como rompê-lo sem dor e com a consciência limpa? Não há uma resposta fácil a essa pergunta, embora ela precise ser respondida e vai continuamente sendo feita, à medida que os habitantes do líquido mundo moderno seguirem sofrendo sob o peso esmagador da mais ambivalente entre as muitas tarefas com que se defrontam no dia a dia. Individualismo x relacionamento (Bauman)”.

“AMOR o que mais se deseja, paradoxalmente, o que mais se teme.”

Analisando esta dificuldade psicológica em pacientes que apresentam dificuldade de encontrar seu par, os quais, bloqueados nas camadas primitivas do seu inconsciente, encontram-se “fechados (as) ” para estabelecerem “encontros” e vínculos duradouros. Racionalmente não sabem do seu desejo inconsciente, que tal qual um alienígena, age independente da sua vontade rumo ao desencontro amoroso, consequentemente, vivem experiências de repetição sucessivas de frustração, no sentido de sempre sentirem atração por pessoas que não se vincularão, numa constante auto sabotagem:  investimento afetivo e o sonho de vir a ser “par” fica igual à frustração e decepção do investimento ser em pessoas que não corresponderão. Num ciclo constante de frustração! Tempos líquidos!

Luz Negra – Nelson Cavaquinho

Sempre só

eu vivo procurando alguém

que sofra como eu também

mas não consigo achar ninguém

Sempre só

E a vida vai seguindo assim

Não tenho quem tem dó de Mim

Tô chegando ao fim

A luz negra de um destino Cruel

Ilumina um teatro sem cor

Onde eu tô representando o Papel

Do palhaço do amor

Sempre só

E a vida vai seguindo… vai Seguindo assim

Não tenho quem tem dó de Mim

Tô chegando ao fim

A luz negra de um destino Cruel

Ilumina um teatro sem cor

Onde eu tô representando o Papel

Do palhaço do amor

Sempre só

E a vida vai seguindo assim

Não tenho quem tem dó de Mim

Eu tô chegando ao fim

Eu tô chegando ao fim

Eu tô chegando ao fim

Eu tô chegando ao fim

Cazuza - Luz Negra

Você é intuitivo?

Você é intuitivo?